Num salto eu me levantei, em movimentos rápidos e sucessivos eu desmoronei. Eu estava ali, o olhar assustado, o coração acelerado, a mente a mil, mas não parecia ser eu. Naqueles instantes nada parecia fazer sentido - e não fazia de fato. Ainda sobressaltado, a respiração cada vez mais pesada, a mente cada vez mais confusa e o corpo irrequieto eu travei uma batalha silenciosa comigo mesmo.
O mundo parecia estar caindo, caindo bem na minha frente. Eu senti, mas não queria, sentir era insuportável, era inexplicável, era surreal. As voltas, idas e vindas já não surtiam efeito, aliás, nada do que eu fizesse parecia funcionar. Eu estava só - e estar só era a pior das sensações - tudo parecia girar mesmo sem se mover.
As horas - que antes pareciam estrelas cadentes no céu noturno - agora estavam paradas, inertes. O tempo era uma incógnita e eu, não era nada além de desespero. Eu podia sentir o abraço apertado do medo, do desespero, da angústia. Mas eu estava só e aquele não era eu.
Queria voltar no tempo, mas agora ele já não me pertencia, não era meu aliado, pelo contrário, era meu maior inimigo. Travamos uma luta naquela noite e eu estava perdendo, tudo me consumia, tudo me atingia. Nessa confusão de sentimentos e de sensações eu não me via nem me ouvia, eu não me pertencia, nada fazia sentido, nessa explosão de movimentos rápidos, de pensamentos vagos e desorientados eu fracassava.
Eu estava ali. Eu estava só e, estar só, era a pior coisa que podia me acontecer, e não havia nada que eu pudesse fazer, apenas sentir, apenas esperar, apenas ansiar pela manhã que iria me libertar desse sentimento, desse vazio, desse medo, mas ela demorava a chegar.
Na 44° semana de 2023 eu tive a primeira crise de ansiedade. Uma das piores sensações que poderia ter. Esse texto não descreve o que eu senti, ou o que eu vivi, afinal nenhuma palavra seria capaz de descrever.

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