Aqui, sozinha, sentido o alívio tomar conta de si como uma onda de prazer que lhe envolve e satisfaz, sentido o vento tocar seu rosto com uma ternura quase maternal e o sol aquecer seu corpo do frio intenso, Ela sentia a vida. Ela lembrava do quão longe chegou, e do quão difícil foi chegar lá. No alto, no topo, onde poucos conseguiram. Ela sabia que chegaria lá um dia - mesmo errando, mesmo pegando o caminho mais longo, o caminho mais difícil, mas ela sabia que chegaria lá. Ela experimentou o mundo e gostou. Aqui, sozinha, ela suspirava e sorria lembrando tudo o que teria perdido se tivesse dado ouvidos a quem não merecia.
Um dia, quando Ela era apenas uma garota - indefesa, ingênua, vez ou outra curiosa sobre as coisas da vida - ela tinha expectativas sobre o mundo. Todos os dias antes de dormir ela fechava os olhos e imaginava como seria a vida lá fora, o que haveria depois da última parada? O que existiria após o fim da linha? Ora, ela estava bem aqui, porque aqui era o seu porto seguro, mas... ela não estava realmente bem porque ela sentia que aqui não era o seu lugar. Ela tinha aquela estranha sensação de não se sentir parte dali, Ela queria morar em alguns lugares, Ela queria morar em alguns momentos, Ela queria morar em algumas pessoas. Ela não queria criar raízes num lugar que não era seu. Ela queria sair do ninho, voar alto, voar longe, conhecer a vida, viver seus sonhos, fugir dos seus medos, sentir o mundo - não, Ela queria viver o mundo, porque o mundo era seu e de mais ninguém.
Ela queria poder experimentar cada pedaço dessa terra, cada lugar, cada esquina, cada canto, cada curva e quantas mais pudessem existir. Ela queria poder caminhar livre por ruas, becos e vielas, subir ladeiras, desfilar em passarelas, nadar nos rios, mergulhar no mar, assistir ao pôr-do-sol numa praia qualquer, atravessar as pontes, correr pelos montes e descansar na relva. Ela queria viver sem pressa e apreciar cada detalhe que pudesse perceber, ela queria poder tomar um café na calçada, sentar-se num banco solitária e ver o vai e vem de pessoas andando apressadas.
Eram tantas cores, tantos aromas, tantos sabores e Ela queria poder ver, sentir, saborear e viver cada um deles à sua maneira, sem pressa, sem medo, porque existem lugares que precisam ser vistos, apreciados e sentidos. Às vezes é preciso mudar, deixar algumas partes da história para trás, abrir espaços para novos caminhos, novas conexões, crias novas memórias e conhecer novas pessoas. É preciso ter coragem para experimentar o mundo, deixar seduzir-se por ele e, ainda mais coragem para vivê-lo, e isso ela tinha.
Ela não sabia onde iria ou o que iria encontrar quando chegasse lá, ela não sabia quais dificuldades iria passar ou quantos medos teria de enfrentar, ela não sabia se daria certo ou se precisaria voltar. A única coisa que Ela sabia era de que deveria tentar. No meio do caminho ela caiu diversas vezes, ela quase desistiu outras tantas, ela se viu sozinha - como tantas e tantas vezes - mas ela seguiu, firme, forte e com o mesmo sorriso largo no rosto, com a mesma expressão serena - de alívio talvez? - e com a mesma coragem que sempre acompanhou-a, mesmo nos caminhos mais difíceis. Ela seguiu porque aquela era sua única chance de viver o mundo, de sentir o gosto doce da liberdade que tanto desejou, que tanto sonhou e que tanto a motivou.
Nessa história foram tantas noites mal dormidas pensando, sonhando, noite após noite, com o dia em que chegaria lá. Ela se lembrava de todas as lágrimas derramadas e do medo que a assombrava - apenas pare de chorar e dê o primeiro passo, vista sua melhor roupa, mostre o seu melhor sorriso, mantenha a calma porque o que passou não pode ser mudado mas, o futuro, ainda pode ser transformado - Ela dizia para si mesma. Agora, iluminada pela luz do sol, é hora de aproveitar o máximo cada minuto dessa liberdade, dessa coragem, porque nada dura para sempre e, de repente, a vida te vira do avesso e aí cabe a você descobrir se o avesso é seu lado certo.
Essa crônica não é sobre Ela, afinal, quem é Ela? Essa crônica é sobre se sentir livre, se sentir sã, se sentir inteira. É sobre liberdade. Essa crônica é sobre saber viver, sobre aproveitar o aqui e o agora, é sobre não ter tempo a perder. Essa crônica é sobre ter coragem para dizer sim quando todos dizem não, é sobre ter coragem para dizer eu consigo quando todos dizem o contrário. Essa crônica é sobre ter a coragem para viver e ser livre. Essa crônica é sobre você e sobre mim que não temos - e nem podemos ter - tempo a perder.
"(...) look how far we've come, my babyWe might've took the long wayWe knew we'd get there someday (...)(...) Ain't nothing betterWe beat the odds togetherI'm glad we didn't listenLook at what we would be missing (...)"- Shania Twain -

Nenhum comentário:
Postar um comentário