Aqui, sozinha, sentido o alívio tomar conta de si como uma onda de prazer que lhe envolve e satisfaz, sentido o vento tocar seu rosto com uma ternura quase maternal e o sol aquecer seu corpo do frio intenso, Ela sentia a vida. Ela lembrava do quão longe chegou, e do quão difícil foi chegar lá. No alto, no topo, onde poucos conseguiram. Ela sabia que chegaria lá um dia - mesmo errando, mesmo pegando o caminho mais longo, o caminho mais difícil, mas ela sabia que chegaria lá. Ela experimentou o mundo e gostou. Aqui, sozinha, ela suspirava e sorria lembrando tudo o que teria perdido se tivesse dado ouvidos a quem não merecia.
Um dia, quando Ela era apenas uma garota - indefesa, ingênua, vez ou outra curiosa sobre as coisas da vida - ela tinha expectativas sobre o mundo. Todos os dias antes de dormir ela fechava os olhos e imaginava como seria a vida lá fora, o que haveria depois da última parada? O que existiria após o fim da linha? Ora, ela estava bem aqui, porque aqui era o seu porto seguro, mas... ela não estava realmente bem porque ela sentia que aqui não era o seu lugar. Ela tinha aquela estranha sensação de não se sentir parte dali, Ela queria morar em alguns lugares, Ela queria morar em alguns momentos, Ela queria morar em algumas pessoas. Ela não queria criar raízes num lugar que não era seu. Ela queria sair do ninho, voar alto, voar longe, conhecer a vida, viver seus sonhos, fugir dos seus medos, sentir o mundo - não, Ela queria viver o mundo, porque o mundo era seu e de mais ninguém.